sábado, 20 de abril de 2013

Assombração de Juíz de Fora

No subúrbio pobre da cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, existe uma vila de miseráveis que se formou ao longo da linha do trem. Essa comunidade vive em condições bizarras ocupando ilegalmente um terreno da prefeitura. Um amontoado de casebres foram construídos no fundo de pequena ravina que é cortada pela linha férrea. Assim sendo, as casas ficam espremidas entre as paredes do terreno e a linha. É impressionante ver um trem de 4 locomotivas e centenas de vagões de minério passar à 1 metro das portas das casas.
Obviamente, dezenas de acidentes envolvendo principalmente crianças, já marcaram de sangue as paredes dos barracos. Num episódio documentado pela TV local, vê-se um carro da prefeitura -que havia ido até a vila para prestar alguma assistência humanitária-, dar marcha ré desesperadamente pela via principal da vila para não ser esmagado pelo mostro de metal que apitava freneticamente.
Mas por mais estranho que seja para a grande parte da população morar num lugar tão insalubre, as pessoas do local se recusam a sair de onde foram enterrados seus mortos.
Uma dessas pessoas, conhecida como Dona Chepa, viu sua filha Matilde e seu neto serem literalmente partidos no meio depois de terem sido atropelados pelo trem. Ao se preparar para sair de casa, Matilde e seu filho (um bebê colo) ouviram o barulho do trem se aproximando. Não disposta à esperar alguns minutos para atravessar a vila, decidiu sair correndo com a criança no colo. Uma tentativa estúpida que acabou se transformando em tragédia ao tropeçar no pano de chão que estava na porta, fazendo mãe e filho a caírem exatamente no meio o trilho.
Dona Chepa, que estava na cozinha, viu tudo e ficou louca depois do acidente e passou a viver da caridade dos vizinhos. Não tendo pra onde ir e se recusando a ir para qualquer instituição de assistência, a velha anciã que ficara com a saúde física também muito debilitada, acabou por ter o mesmo fim da filha e do neto na linha férrea numa sexta feira noite, durante o verão.
Não se sabe até hoje se foi mais algum infeliz acidente ou se foi suicídio. Mas essa história de morte e tristeza acabou alimentando mais um daqueles casos folclóricos característicos das comunidades mais simples.
Dizem que toda sexta feira à noite, durante o verão, na ponte férrea que fica logo após a ravina, um vulto de uma velha senhora fica sentado cantando uma triste ladainha até a chegada infalível do trem.



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